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Águia-Real: Características, Alimentação, Hábitos e Reprodução

Águia-Real: Características, Alimentação, Hábitos e Reprodução

A Águia-Real (Aquila chrysaetos) é uma ave característica do hemisfério norte, sendo encontrada na Europa Ocidental, Ásia e o Norte Africano. É comumente encontrada nas regiões montanhosas de Portugal. Não é um animal considerado em extinção, estima-se que existam entre 5000 e 7200 casais, sendo a maioria dos casais encontrados nas regiões mais remotas do norte Europeu.

Na nomenclatura científica, o gênero da Águia-Real é chamado de Aquila e ele conta com 3 espécies: a Águia-Real (Aquila chrysaetos), águia-imperial (Aquila adalberti) e a águia-perdigueira ou águia-de-bonelli (Aquila fasciata). Dentre as espécies, a Águia-Real é a maior delas e aquela que apresenta coloração mais comumente conhecida que varia entre o dourado e o castanho.

Águia-real
Águia-real

A Águia-Real é uma ave de rapina com hábitos diurnos, seu tamanho varia entre 65 cm a 1 metro de comprimento, com envergadura das asas de 1,5 m a 2,5 m e seu peso entre 2,5 kg a 7 kg. Como é comum nas aves de rapina, às fêmeas são sempre maiores do que os machos, entretanto, exceto o tamanho, visualmente não existem mais diferenças entre os indivíduos.

Características:

A Águia-Real é praticamente inconfundível, apenas podendo ser difícil a sua distinção da mais rara águia-imperial-ibérica. As asas da Águia-Real são grandes e largas e a cauda proporcionalmente comprida, com a cabeça projectada, exibindo a tonalidade pálida da nuca, que pode ir do castanho claro ao dourado quase branco.

No restante da plumagem, o tom dos adultos é no geral escuro, ao contrário dos juvenis e imaturos, que exibem “janelas” brancas nas asas e uma banda branca larga na cauda, bastante visíveis à distância. A grande envergadura da Águia-Real só é ultrapassada pelas do grifo e do abutre-preto.

Canto:

Alimentação:

Em termos de dieta a Águia-Real apresenta uma certa plasticidade, comportando-se simultaneamente como predadora e como necrófaga. Como predadora baseia a sua dieta nas presas de média dimensão, principalmente lagomorfos, grandes répteis, aves diversas e carnívoros.

Em períodos de menor disponibilidade alimentar é frequente recorrer a cadáveres de ovinos e caprinos, dependendo em grande medida das formas tradicionais de pastorícia. Cada casal possui extensos territórios de vários quilómetros quadrados e a sua dimensão depende da abundância e disponibilidade de presas.

Águia-real-1
Águia-real-1

Hábitos:

Um dos aspectos mais destacados desta ave é que ela pode se adaptar a qualquer classe de ecossistema, já que, se preciso, se alimentará de carniça.

Desta maneira, a Águia-Real pode manter uma população estável, ao contrário da águia imperial (seu parente mais próximo), que depende da caça do coelho para sobreviver. A Águia-Real não é uma espécie ameaçada, mesmo tendo sido declarada em extinção na Irlanda.

Sobre sua alimentação, caça vindo do ar, aproveitando-se de suas patas fortes com garras , de seu bico em forma de gancho e sua excelente vista, que lhe permite localizar suas presos a muitos metros de distância. Pega animais de diferentes tamanhos e formas, entre eles coelhos, raposas, ratos, lebres, serpentes, aves terrestres, etc.

A reprodução da Águia-Real também é algo que vale a pena destacar. Formam um mesmo casal para a vida toda e constroem seus ninhos a cada ano, com ramas grossas embaixo e finas em cima. Nas zonas áridas, podem fazer ninhos entre as rochas e precipícios.

A cada ano, a Águia-Real faz novos andares no ninho, que pode chegar a medir um metro e meio. A época do acasalamento acontece entre janeiro e março. Depois, a fêmea põe até dois ovos, que são incubados durante 45 dias. Os filhotes são cobertos por uma plumagem branca, e fazem seu primeiro voo com quase dois meses de vida.

Caso os ovos eclodam, os pais dão prioridade de atenção ao filhote mais forte e saudável. O outro morrerá por falta de comida ou até por ser expulso do ninho. Desta forma cruel, asseguram que apenas os mais aptos sobrevivem.

Águia-real-habitat
Águia-real-habitat

Habitat:

A Águia-Real ocorre na Eurásia, no Norte de África e na América do Norte. Em Portugal, nidifica no Parque Nacional Peneda-Gerês e nos troços internacionais dos rios Douro e Tejo e respetivos afluentes.

A área de procriação na América do Norte inclui o México norte-central, a zona ocidental dos Estados Unidos – Dakotas, Kansas e Texas –, o Alasca e o norte do Canadá. Durante o inverno, avistam-se exemplares de Águia-Real no Alasca meridional e no Canadá e no oeste dos Estados Unidos e do México. São vistos alguns no estado do Minnesota todos os outonos durante a migração e ocasionalmente no rio Mississípi durante o inverno.

A Águia-Real é protegida pelo governo dos Estados Unidos e considerada ameaçada de extinção. A caça, a eliminação de presas por alteração do habitat natural e o envenenamento por mercúrio são os fatores principais que limitam as populações desta ave. A Águia-Real abandona o ninho, mesmo durante a incubação, se for perturbada.

Reprodução:

A Águia-Real se reproduz uma vez a cada ano e o casal é muito dedicado a construção do ninho que vai acolher os ovos, os lugares rochosos são os preferidos para a construção, preferencialmente lugares de difícil acesso, muito altos e em encostas de precipícios, ou também em galhos de árvores.

Águia-real-ninho
Águia-real-ninho

Os ninhos da Águia-Real podem ser bem grandes chegando a 3 metros em seu diâmetro, eles devem acolher entre 1 e 4 ovos que serão chocados pelo casal cerca de 35 até 45 dias. A lei do mais forte vale desde o nascimento, o primeiro filhote a nascer é sempre o que possui mais força e comumente este poderá matar os outros filhotes, no que não serão impedidos por seus pais, mas isto não deve ser entendido como um Sinal de Negligência destes, apenas é mais uma lei da natureza em ação.

Curiosidades

Apesar da Águia-Real consumir frequentemente espécies cinegéticas, em particular coelhos e lebres (onde são mais comuns), o facto de cada casal possuir grandes territórios (a rondar os 200 km2) e de capturarem frequentemente outros predadores, em particular pequenos e médios carnívoros, leva a que o seu impacto naquelas populações tenda a ser muito reduzido ou mesmo positivo.

Numa zona do norte de Espanha (Navarra), verificou-se inclusivé que, em média, por cada 3 coelhos consumidos as águias capturavam aproximadamente 1 carnívoro. Atendendo a que esses carnívoros também consumiriam coelhos se não tivessem sido capturados pelas águias, nesse caso calculou-se que a presença do casal de Águia-Real deveria representar uma “poupança” de cerca de 700 coelhos por ano no seu território, os quais seriam capturados por outros predadores se a Águia-Real não estivesse presente.

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Alan Costa

Sou Graduado em ornitologia pela (UFRJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro, sou um amante da vida natural, é focado em sempre levar boas informações aos leitores.

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